segunda-feira, 6 de abril de 2015

O Famoso mais Desconhecido


Esse texto tende a ser bem filosófico então prepare-se para tentar me entender hahaha. Não, não irei falar de alguém, na verdade vou comentar sobre uma das melhores experiências aqui em Sydney e ao mesmo tempo um dos melhores trabalhos também que me fez pensar em MUITAS coisas (até mesmo aprofundar meus estudos sobre o comportamento humano). Pois é, o texto vai ser looooongo mas garanto algumas risadas.

Muitas experiências aqui eu relato apenas o momento ou até mesmo alguns sentimentos, mas essa aqui eu terei que começar desde antes do início.

Antes do Início

Quando cheguei em Sydney, no meu primeiro dia na cidade eu andei bastante para me habituar com tudo e também conhecer um pouco mais sobre o meu novo lar. Durante minha caminhada avistei um grupo MUITO engraçado que não só chamou MUITO minha atenção como também fez com que eu sorrisse naturalmente pela primeira vez em solo australiano. Eu dei muita risada pela situação e indiretamente eles fizeram meu dia um pouco mais feliz e eu pensei comigo mesmo: "Eu poderia fazer esse tipo de trabalho tranquilamente! hahaha", desse dia em diante eu tinha certeza que estava na Austrália e rir constantemente era algo que eu procurava fazer com maior frequência.

Os meses passam muito depressa aqui e eu vi mais 2 grupos realizando o mesmo trabalho aqui na cidade, claro que eu ri nessas duas outras vezes e pude perceber que não era só eu que prestava atenção neles.... todos comentavam.

Primeira oportunidade

Certo dia (acho que foi há 2 meses atrás) pesquisando trabalhos casuais no Gumtree eu encontrei um anúncio para uma vaga nessa empresa e não pensei duas vezes em aplicar para a posição. Fui selecionado mas precisava responder a 3 perguntas por e-mail, na época eu estava aplicando para qualquer vaga que aparecesse e muitas vezes não sabia quem era o empregador que tinha me respondido e por esse motivo não respondi o e-mail com o foco e a qualidade que eu gostaria e acabei não seguindo para a próxima fase.

Segunda oportunidade

Dois meses depois a vaga estava lá novamente e meus olhos brilharam novamente, não era só uma oportunidade de trabalho, era mais que isso, era um momento de lazer e mostrar para as pessoas que o "normal" muitas vezes pode ser chato. Eu comecei a imaginar o Filipe realizando aquelas "tarefas" (sim, minha mente é extremamente criativa e constrói vários cenários diferentes) e mais uma vez apliquei para a vaga.

Mesmo processo: fui selecionado, depois precisei responder as 3 perguntas (e dessa vez eu caprichei e mostrei realmente quem é o Filipe), a seguir fui convidado para 2 entrevistas!!! Exatamente, 2 entrevistas. Você pode estar pensando: "Que trabalho é esse?", "Eles selecionam somente as pessoas com inglês fluente", "Provavelmente você vai trabalhar na sua área em um prédio comercial". Ok, somente a parte do prédio comercial está correta, mas apenas para as entrevistas haha.

A entrevista - chegando no local

Recebi um e-mail com o endereço do prédio que seria a entrevista assim como o horário e o melhor traje a ser usado. No mesmo e-mail (enviado diretamente pelo CEO - Chief Executive Officer - e fundador da empresa) estava o número do seu celular pessoal caso eu tivesse qualquer dúvida e o primeiro "obrigado" por ter confirmado a presença no dia.

O prédio era bem perto da minha casa e fui andando até ele. Imaginei um prédio pequeno sem muita visibilidade e apenas uma pessoa para recepcionar. Eu estava errado novamente pois o prédio era um dos maiores de Sydney, super bem localizado ao lado do prédio da PWC e do Commonwealth (um dos maiores bancos aqui da Austrália). Confesso que eu fiquei nervoso no momento que conferi se o número do prédio era exatamente aquele mas respirei fundo e enfrentei o desafio.

Diferentemente dos prédios comerciais (com mais de uma empresa no prédio) no Brasil, esse não tinha catraca, não tinha recepção e o acesso aos elevadores era LIVRE. Ou seja, eu precisava apenas apertar o número do andar e aguardar. Chegando no andar informado eu avistei uma pessoa que estava fornecendo informações e perguntei para ela onde seria a entrevista, ela me avisou para esperar em uma sala.

A entrevista - aguardando

Nessa sala existiam mais 4 pessoas sentadas (me senti em uma dinâmica de emprego novamente, dessa vez totalmente em inglês) e comecei a conversar com uma pessoa da Alemanha que estava aguardando da mesma forma que eu. Na mesma sala existiam mais 5 pessoas de pé conversando (a sala era uma espécie de coffee break e algumas pessoas de outras empresas passavam por lá).
Detalhe: Café de máquina MUITO bom e FREE.

Após algum tempo mais candidatos chegaram e 3 pessoas que estavam de pé tomando café começaram a falar com todos dizendo que faziam parte da empresa e nos convidaram para ir para outra sala onde a entrevista seria conduzida. Nos levaram até o elevador novamente e disseram que a entrevista seria em outro prédio! Hahaha. Não entendi nada apenas segui.

A entrevista de fato

O outro prédio comercial era bem parecido porém ao chegar no andar da reunião eu constatei que aquela empresa era REALMENTE séria. Entramos na sala de reunião mais chique que eu já vi na minha vida (e olha que eu já trabalhei em empresas grandes e estou acostumado com sala de reunião de diretor, vice-presidente, etc!) Me senti super bem tratado e notei que essa empresa se preocupa com o bem-estar do funcionário. E a vista? A melhor vista da Darling Harbour e eu conseguia visualizar a Harbour Bridge também... que sensação! Estava confortável, alegre e empolgado para ouvir o que eles tinham para comentar conosco.

Esqueci de comentar! O CEO(Chief Executive Officer)/fundador da empresa estava presente também, aliás ele que conduziu a entrevista e se mostrou um dos melhores profissionais que já conheci explicando cada detalhe da empresa, motivando todos na sala e ao mesmo tempo se tornando nosso amigo e melhor ainda um ser humano como qualquer outro ali. É claro que notei que ele era um típico homem de negócios não só por possuir 4 empresas e viajar quase todo dia para uma cidade diferente na Austrália mas também pelo jeito de falar e de se expressar mas fiquei bem contente em perceber que apesar de tudo isso ele possuía um grande carisma, facilidade em conversar e ganhar confiança de todos e extrema preocupação com os seus futuros funcionários.

Ele disse algo que muito válido no qual eu sempre acreditei, o trabalho é importante mas se o funcionário não está feliz a qualidade do trabalho diminui e os clientes são os mais afetados nesse caso. Para ele o trabalho e a felicidade dos funcionários andam juntos. Isso me chamou bastante atenção e me deixou ainda mais curioso para saber dos próprios funcionários as percepções do trabalho e como eles se sentiam trabalhando para essa empresa.

Começamos a nos apresentar após o CEO ter terminado de falar, na minha opinião foi bem tranquilo e vi no rosto de todos os candidatos que estavam ali na sala muita alegria e vontade de trabalhar. Aconteceu uma "dinâmica" também somente para nos sentirmos mais confortáveis com todos ali na sala. Eu coloquei dinâmica entre aspas pois nesse caso não foi algo para medir o nível de conhecimento ou qualquer coisa do gênero foi justamente para se familiarizar com as pessoas que estavam ali com você.

No começo e no final da reunião o CEO agradeçou muito pela nossa presença e ao terminar a entrevista ele nos informou que mais de 200 pessoas se candidataram para essa vaga mas que somente as 8 pessoas na sala chamaram a atenção dele de uma forma diferente, que ele estava procurando pessoas criativas, com energia e que não negam um sorriso. Enfim, ele disse que nós teríamos o trabalho e receberíamos um e-mail dizendo o dia e a hora marcados. Antes de ir embora uma das diretoras tirou uma foto individual de cada um e ele agradeceu cada pessoa mais uma vez na saída da sala.

No elevador percebemos o clima de felicidade e compaixão entre todos, Estavamos realmente motivados e prontos para começar. Na minha opinião esse cara faz coaching, palestras, vídeos motivacionais, etc hahaha.

Chegando em casa me senti obrigado a escrever um e-mail para ele proporcionando um primeiro feedback sobre todo o processo de seleção até o final da entrevista. No mesmo dia ele me respondeu agradecendo um pouco mais tarde eu recebi não só o "kit de boas vindas" com papéis para preencher (garantindo o pagamento) como também um convite para o primeiro dia de trabalho.

No e-mail além do local e horário estava o e-mail da diretora de campanha que iria conduzir o trabalho no dia. Estava confiante de que tudo iria dar certo e eu terei mais do que um dia de trabalho, um dia de lazer.

Desvendando o mistério. Que trabalho é esse?

Agora chega de mistério! Fiquei falando sobre tudo mas não disse exatamente o que é o trabalho. O trabalho consiste em campanhas publicitárias, na verdade fazer a divulgação dos clientes pelas ruas mas não é distribuindo flyers, essa empresa tem um grande diferencial e eles SABEM como chamar atenção.

O que você pensaria se visse uma pessoa vestida assim dançando com um anúncio gigante nas costas?

Eu e o francês antes de começar o primeiro dia de trabalho

Sim, essa "pessoa" com tênis verde sou eu. Não, não é mentira! hahaha.

O nome da empresa (não vou ganhar nada por divulgar o nome mas faço questão de lembrar no futuro! haha) é Human-Billboards e eles são especialistas em publicidade e marketing. No caso eu estou trabalhando como Embaixador Promocional de Marca (Promotional Brand Ambassador) e o meu trabalho é: ME DIVERTIR E CHAMAR ATENÇÃO. Hahahaha díficil não?

Uma parte do anúncio da vaga no Gumtree

Primeiro dia de trabalho

O que esperar de um trabalho como esse? Qual o sentimento ao vestir uma daquelas roupas? Muitas dúvidas como essas apareceram ao longo do dia.
Eu acordei super ansioso para o trabalho. Preenchi todos os papéis burocráticos e mais de 1 hora antes eu saí de casa pois não queria que nenhum imprevisto me prejudicasse no dia. Resultado: Cheguei 50 minutos antes do necessário. O que me restou foi esperar até que alguém chegasse.

A preparação

O local combinado era o mesmo prédio que nos encontramos para a entrevista e um tempo depois eu encontrei um dos rapazes que estava comigo no dia da entrevista. A diretora de campanha ficou super feliz com nossa pontualidade mas até então não tinha nos contado que nesse dia seria somente nós dois no "campo de batalha".

Subimos no mesmo andar que no dia anterior estávamos esperando para sermos chamados e aí então eu descobri que uma das salas era disponibilizada para a empresa. Recebemos nosso belo uniforme e deixamos nossa papelada com a diretora de campanha.

A sensação de vestir essa roupa é MUITO estranha, parece que você está se preparando para entrar em uma nave rumo ao espaço mas na minha cabeça eu já começava a imaginar a reação das pessoas. Ainda não tinha colocado a parte da cabeça mas já começava a me sentir uma outra pessoa, um personagem de desenho animado, algo simplesmente para fazer as pessoas felizes (sinceramente não estava preocupado com o anúncio que carregaria mas sim estava imaginando que tipo de sentimentos provocaria nas pessoas e até mesmo em mim mesmo).

Andamos com a roupa estranha (sem cobrir a cabeça) até a sala novamente e pegamos os anúncios. Nesse dia iríamos fazer a divulgação do Paddy's Market. Cada tela de anúncio possui 144cm de altura por 57,5cm de largura pesando 7Kg. Existe também um suporte para garrafa de água, super confortável e cada painel também brilha no escuro (é possível realizar promoção de noite).

Ao chegar do lado de fora do prédio colocamos e fechamos definitivamente a roupa (é claro que o zíper da minha tinha que enroscar no meu cabelo - que já está grande - e eu tive que lutar para conseguir arrumar). Minha visão estava limitada a uns 65%, não tinha nenhum senso de direção e ao posar para a primeira foto antes do início efetivamente do trabalho eu e o meu colega batemos os anúncios um no outro hahahaha (acontece....).

Plano e início de trabalho

O plano era passar por 4 lugares movimentados de Sydney: QVB (Queen Victoria Building), Martin's Place, Hyde Park e finalmente Paddy's Market.

Definitivamente estava perdido (e esse é um dos motivos de existir uma diretora de campanha para nos orientar e ser literalmente nossos olhos) e comecei a perceber que todos na rua olhavam para nós, era como se eu fosse alguém muito famoso ou alguém que fez algo muito errado na vida.

Andar com um anúncio nas costas que faz você ficar com 3 metros de altura é algo bem complicado no início pois se você pende o corpo para um dos lados o painel vai junto e fica difícil de controlar, ao mesmo tempo que é muito difícil ter noção da sua altura pois existem placas ou até mesmo coberturas que não são tão altas e o risco de colidir é alto mas como eu disse existe uma pessoa para nos guiar enquanto andamos.

Primeiro local

Paramos em frente ao QVB e fomos orientados que deveríamos andar por ali, tentar interagir com as pessoas, talvez dançar... era mais com a gente mesmo.

No começo senti um certo receio de fazer qualquer coisa estúpida mas aí então comecei a filosofar comigo mesmo. Pensei em como as pessoas se sentiriam ao me ver, pensei nas crianças que eu teria a missão de fazer sorrir, pensei no primeiro dia em Sydney quando eu vi um grupo de 4 pessoas realizando o mesmo trabalho (na verdade eles estavam apenas andando) e finalmente pensei em curtir o momento pois até essa hora eu estava concentrado em realizar um trabalho mas depois desses pensamentos eu simplesmente deixei de lado a formalidade e virei o melhor personagem que Sydney já viu! Hahaha.

Nesse momento não existia nenhuma artista de rua para facilitar a "performance" mas após 10 minutos apareceu um cidadão tocando violão o que permitiu mais cenas ridículas hahaha. O francês que estava realizando o mesmo trabalho não estava muito confortável na situação mas quando ele me viu tentando dançar e conversando com todas as crianças que passavam ele se sentiu mais confiante para fazer o mesmo.

Depois fomos andando para outro lugar movimentado e era impressionante como TODAS as pessoas reparavam na gente. Mesmo as pessoas mais apressadas ou acostumadas com esse tipo de empresa olhavam pelo menos por 3 segundos, enfim estávamos confiantes e sendo super famosos mas ao mesmo tempo super desconhecidos. Incontáveis frases que eu disse no dia: "Hi!", "Helloooo", "G'Day!", "Hey mate!", etc, etc....

No outro ponto que ficamos tinha música ao vivo também e mais uma vez "roubamos" a cena fazendo uma "performance" memorável atrás do artista de rua (que dessa vez era um pai tocando violão e 3 crianças cantando). Eu não conseguia ver a expressão das pessoas mas a diretora disse que nunca viu tanta gente prestar mais atenção em nós do que no artista de rua. Definitivamente estávamos nos divertindo.

Dança + luta = Chamando atenção mais que artista de rua
Atrás de um artista de rua, "roubando" a cena novamente
Antes de partirmos para o próximo destino andamos separadamente por essa rua por 5 minutos.

Próximo destino: Hyde Park.
No dia não tinha muita gente mas tiramos boas fotos e conversamos mais sobre a vida na Austrália, planos para o futuro e claro "dançamos" ou tentamos fazer algo do tipo hahaha.

Pose no Hyde Park
Enfim descemos até o Paddy's Market, nosso último destino, chegando lá nos deparamos com outros homens de preto realizando promoção em frente ao Paddy's Market só que com outro anúncio nas costas! A diretora de campanha ficou surpresa pois ela não esperava isso e então acabamos indo no China Town (os chineses adoram tirar foto com a gente) e ficamos por lá algum tempo "falando" chinês e interagindo com as pessoas.

O trabalho estava concluído e tínhamos que voltar para o escritório tirar a última foto e enfim voltar a ser um humano reconhecido novamente.

Fim do primeiro dia e dever cumprido

O sentimento de dever cumprido era GIGANTE! Garanto que chamamos a atenção de muita gente! Eu ria sem parar, reparei que em todas as fotos que pediam para tirar comigo eu sorria mas ninguém conseguia ver meu rosto! Mas o corpo fala e tinha certeza que as pessoas conseguiam perceber minha felicidade em estar presente naquele momento feliz da vida delas.

Última foto em frente ao prédio
Após a última foto subimos para nos trocarmos e não tiramos nossa "fantasia" até o último segundo. Fomos até o escritório vestidos como Human-Billboards e só tiramos a parte da cabeça e o resto quando estávamos no banheiro hahaha.

Detalhe: Pensei que o banheiro era para outro lado e acabei nos trancando do lado de fora do andar e eu tive que ligar para a diretora de campanha para abrir novamente a porta para nós hahahaha.

Pois é, foi recompensador ver todos aqueles sorrisos e lembrar que nós voltaríamos a ser pessoas novamente não era algo tão animador hahaha.

Me ver no espelho depois daquele tempo sendo "ninguém" foi estranho mas senti que uma pessoa melhor estava ali presente, alguém com os mesmos valores mas com pensamentos muito mais detalhados e felizes, pronto para ajudar qualquer um e ser um exemplo de coragem e determinação (por que não?).

Detalhe: Voltando para casa eu falei e cumprimentei vários estranhos e crianças sem querer pois na minha cabeça eu estava com a roupa ainda, foi engraçado ver as pessoas falando um "oi" forçado tentando lembrar de onde me conheciam ou se me conheciam de algum lugar de fato. 

Infelizmente esse trabalho é casual, ou seja, pode ser que eu trabalhe 1 ou 2 vezes na semana e é possível que não exista trabalho em determinada semana, depende do cliente e se formos convocados para realizar o trabalho. Não posso trabalhar em dia da semana pois o horário é justamente quando estou na escola estudando (foco principal da minha vinda para a Austrália: estudar e ficar FLUENTE no inglês). Mas mesmo assim é um bom momento para me divertir e esquecer os problemas/saudades e também lembrar que eu posso ser alguém que faz a diferença na vida de pessoas e crianças. Um sorriso para mim vale mais do que cem mil palavras.

Eu x Crianças

Não poderia deixar de mencionar meu contato com as crianças nesse dia (que foi gigantesco). Eu nunca fui fã de criança, nem mesmo de chamar a atenção delas com alguma coisa diferente mas a partir desse trabalho comecei a ter uma visão diferente delas. O olhar curioso e a coragem de falar com um estranho (na verdade quase um ser de outro mundo) e não julgar pela roupa, respeitar esse personagem assim como ele é, respeitar e admirar pela nossa coragem em vestir aquela roupa me fez raciocinar como as crianças possuem o pensamento e raciocínio mais humano que existe.

Sim, fiz vários pequenos amigos(as) que me olhavam com aceitação e divertimento, os pais se tornavam apenas uma paisagem na imensidão de sentimentos que surgiam por parte dos pequenos curiosos, alguns até mesmo me seguiam.... eu não era uma inspiração para eles mas sabia que ser diferente do "normal" e me divertir sendo diferente era algo que chamava a atenção deles, algo diferente porém natural. Não precisava ter nome, rosto, nada para ser alguma coisa no qual faz essas crianças confiantes e mais alegres... Respeitar as diferenças sendo elas físicas, mentais, culturais, qualquer tipo de diferença, é precisamos escutar e prestar mais atenção nas crianças do mundo todo elas têm muito a nos ensinar sobre nós mesmos e nossas atitudes.

Claaaaro que assustei umas 3 crianças (uma delas até chorou de medo) mas eu consegui notar a diferença delas a partir de seus pais. Super protetores, conservadores, não deixando que a criança explore o mundo, não deixando a criatividade possa florescer dentro daquele protótipo de adulto. Quando me afastei dessas crianças que estavam com medo fazia questão de olhar para trás e reparar não só nos pais mas na expressão dos pequenos, parecia que eles queriam que eu voltasse, mesmo com medo eles não perdiam a expressão de curiosidade e desejo de entender o que era aquilo. De fato aprendi muito com as crianças nesse dia.

Pensamentos e reflexão

Que dia! Que experiência! Eu nunca imaginei na minha vida que eu faria algo do tipo, NÃO MESMO! Mas aprendi MUITO com esse dia e a vivência por trás de uma roupa que "apaga" seu nome por algumas horas para simplesmente focar na personalidade e reparar com maior afinco nas expressões e comportamento humano é simplesmente única. Como eu disse no começo desse artigo (ou novela pois já escrevi quase um livro descrevendo um pouco de tudo) eu consegui aprofundar algumas visões sobre o comportamento humano (que particularmente eu acho fenomenal e se você souber lidar com diferentes tipos com certeza você será um exemplo de ser humano e profissional).

Comparando crianças com adultos: Claro que todos acham engraçado a situação porém os adultos sabem que há uma pessoa ali naquela roupa e se sentem desconfortáveis em interagir com medo que alguém os julguem pela situação. As crianças por outro lado não pensam na "pessoa" que está ali, elas simplesmente olham e interagem sem pensar no que os outros vão pensar se elas fizerem isso. 

Fácil perceber como a maioria das pessoas atualmente se preocupam mais com o que as pessoas vão pensar se elas fizerem alguma coisa do que o fato delas realmente pensarem nelas mesmos curtindo o momento, seja ela uma situação, uma decisão ou até mesmo interagir com um tipo de ET na rua. O que eu quero dizer é: As pessoas não se preocupam com o que elas estão fazendo ou agindo, elas se preocupam mais com o que as OUTRAS pessoas vão pensar. 

É muito louco refletir sobre isso mas é uma realidade! Não é a toa que a depressão é uma das doenças mais comuns nos dias atuais. As pessoas se preocupam em mostrar que estão se divertindo, ou trabalhando no melhor lugar, ou comprando algo de valor, ou frequentando lugares famosos somente para as outras pessoas pensarem algo de bom. Isso acaba impactando diretamente nas suas vidas, elas se sentem obrigadas a mostrar que estão se divertiindo, que estão felizes, que estão aproveitando o melhor da vida mas muitas vezes não estão! Muitas vezes estão fazendo coisas que pessoalmente não deixam elas felizes, fazem aquilo por ser "normal", por ser algo que "todos" deveriam fazer ou se não fazem almejam um dia fazer. Ou seja, vivem para mostrar para os outros que estão vivendo da forma correta, mas quem disse que existe forma correta para viver? Quem disse que você não pode dançar no meio da rua as 16:45 pois deu vontade? Quem disse que existe melhor ou pior trabalho? Quem disse que suas escolhas e suas vontades precisam ser do jeito que a sociedade ou sua cultura obriga? Quem disse?

Não tenha medo de ser você mesmo, não tenha medo de demonstrar suas reais vontades e desejos, de mostrar seus objetivos de vida.....de arriscar mais e planejar as mesmas coisas menos. A vida é uma só meu amigo(a), não perca tempo pensando no que os outros querem que você faça para ser só mais um na multidão, faça diferente, faça do seu jeito e seja feliz para sempre.

Esqueça por um momento que alguém conhece você, vista a sua roupa que cobre o seu corpo inteiro e seja você mesmo, não pense que você vai fazer bobagem e se um dia você fizer pode ter certeza que você vai aprender com o seu erro e se sentirá grato em aprender com você mesmo. Por favor, NÃO julgue ninguém pela aparência, cargo na empresa ou nacionalidade... você pode se surpreender ao conhecer de fato a pessoa.

Em um dia eu fui o famoso mais desconhecido de Sydney! Valeu a pena, fiz a diferença naquele dia e me senti um ser humano mais completo recebendo milhares de sorrisos e olhares, aproveitei a situação para refletir mais sobre o Filipe e o que me faz feliz, o que me faz sorrir mais, o que me motiva e foquei em metas de vida mais complexas pois o impossível não existe ("Não sabendo que era impossível ele(a) foi lá e fez!") e a vida é muito curta para se lamentar do que você deixou de fazer....

Aguardando o próximo dia...

Eu poderia escrever muito mais aqui sobre tudo que passei nesse primeiro dia mas se eu escrever mais eu nunca vou conseguir postar (e já faz um tempo que não posto). Agora é aguardar para o próximo dia de "trabalho" (na verdade me chamaram porém no dia choveu bastante e cancelaram por questões de segurança).

Aguardem que mais experiências, sensações, planos, metas e vivência estão por vir. Só preciso achar um tempo para escrever tudo isso. Hahaha.

"Keep going mate! Be happy!"
Filipe Guerrero Analista de Projetos/Processos

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