quinta-feira, 19 de março de 2015

Experiência como Cleaner



Demorei para escrever sobre isso... mas não posso esquecer dessa experiência. Não foi nada boa mas por outro lado me ajudou a dar valor para muitas coisas e manter o FOCO.

Como eu disse em outro artigo, eu fiz o curso de cleaner para trabalhar em uma empresa brasileira de segunda a sexta (nada mal para alguém que está estudando inglês). Após duas semanas eles me chamaram para trabalhar, a seguir contarei de como tudo aconteceu e a razão de eu ter saído desse trabalho (que muita gente procura).

Primeira Oportunidade

Eu já tinha realizado o curso de cleaner mas até então ninguém tinha me ligado, estava pensando que eu perdi dinheiro investindo nesse curso, quando me contataram. Pra começar falaram em português comigo sobre uma vaga de cleaner em uma escola. Na hora eu até me assustei quando a pessoa começou a falar pois não estava acostumado a receber ligações e falar em português.

Aceitei a oportunidade na hora mas ao final da ligação a pessoa disse que para eu trabalhar nesse lugar eu deveria sair da escola 30 a 40 minutos antes de minha aula acabar, isso iria prejudicar não só meu progresso na aula como também marcaria minha ausência na parte da tarde.

Não pensei duas vezes e expliquei a situação, no fim acabei recusando a oportunidade dizendo que iria aguardar a próxima ligação (mesmo sabendo que poderiam não me ligar mais ou demorar muito mais tempo para isso acontecer).

No mesmo dia eu fiquei pensando e me cobrando sobre o que tinha ocorrido, na ocasião eu pensava que deveria ter aceito de qualquer forma, que era melhor que nada... enfim, resolvi agir de outra forma pois não queria faltar na aula mas também queria uma oportunidade de emprego. No final do dia eu mandei um e-mail grande para a empresa que realizou o curso de cleaner e também para a empresa brasileira de cleaner dizendo que eu estava muito interessado em trabalhar contando sobre minhas qualidades e todas aquelas formalidades que fazem com que o empregador se interesse por você.

Segunda Oportunidade

Uma semana depois me ligaram com outra oportunidade de trabalho. Dessa vez não me assustei com o português falado e antes mesmo de começar a conversa perguntei sobre o horário e era exatamente o que eu estava procurando, eu terminaria a escola no horário de sempre e depois iria para o trabalho. A conversa com a supervisora foi bem rápida, ela só perguntou se eu estava interessado (e eu disse SIM), falou que iria mandar o endereço da escola por mensagem e que o meu trial seria no mesmo dia (teria que CORRER).

Na hora eu fiquei bem feliz, finalmente tinha conseguido um emprego de segunda a sexta, poderia pagar minhas contas (aluguel, mercado, celular) sem pensar se eu iria ou não trabalhar no outro dia (como é o caso quando você trabalha em casual job). Mas eu ainda não sabia do que se tratava o trabalho e nem as pessoas com que eu teria que trabalhar, mas isso não me preocupava. Eu tinha um trabalho e isso era o mais importante.

Primeiro Dia - Chegando na escola

Quando você consegue um emprego independente se é aqui ou no Brasil ou em qualquer parte do mundo você se sente super animado e ansioso para começar logo esperando só coisas boas mas com receio do novo, mas desafios são bons para a VIDA! Então não foi diferente.

Como eu estava de chinelo eu precisava voltar para casa, trocar de roupa e então ir para o ponto de ônibus, literalmente eu corri e consegui pegar o ônibus na hora certa (nessas horas você agradece por estar na Austrália, o transporte público é extremamente pontual e você tem acesso a todos os horários de cada ponto).

Tentei relaxar ouvindo uma música mas eu estava muito ansioso e preocupado em descer no ponto certo. Depois de 1 hora o ônibus chegou ao meu destino: Kambala localizada em Rose Bay (área nobre em Sydney). Ao descer do ônibus vi 3 pessoas conversando em português e percebi que eles trabalhavam como cleaner nesse lugar pela mesma empresa e não hesitei em conversar com eles pois a supervisora não respondia minhas mensagens e eu estava completamente perdido.

Geralmente os brasileiros aqui na Austrália são bem animados e ficam felizes em encontrar mais brasileiros, mas esses não esboçaram reação nenhuma e muito menos perguntaram algo para mim, ou seja, foi um "olá" e "vou trabalhar com vocês". Até aí tudo bem, um rosto novo no trabalho muitas vezes pode não significar muita coisa.

Quando eles entraram na escola eu tive que seguir eles pois a escola é GIGANTESCA, foi aí que uma menina comentou comigo que essa é segunda escola mais cara de Sydney. Como senti que eles não queriam conversar comigo fiquei em silêncio e apenas fui junto com eles até o estacionamento da escola no subsolo onde fica o escritório (e também estoque) dessa empresa de cleaner.


Primeiro dia - Primeira bronca

Chegando lá encontrei mais brasileiros e todos com a mesma expressão: cansados, desconfiados, preocupados e é claro falando em português somente. Reparei na quantidade de produtos de limpeza e outros objetos amontoados em uma pequena sala com 2 mesas livres - a primeira com um papel com os nomes e horários de cada um e a segunda onde a supervisora fica. Além de reparar em cada detalhe de móveis e objetos também reparei no clima tenso que estava no ambiente, em um primeiro momento pensei que era com relação a minha pessoa mas depois que a supervisora começou a falar entendi o real motivo.

Normalmente todos chegam no horário, separam seus produtos/equipamentos e vão ao trabalho mas como tinha acontecido algo diferente a supervisora resolveu falar com todos antes do início do expediente. Ela começou GRITANDO com todo mundo dizendo que ali não era brincadeira, que o motivo de eu estar ali era porque ela tinha demitido o rapaz anterior, que não existem desculpas para trabalho mal feito e mentiras, ela foi exageradamente grossa com todos os que estavam ali e nessa hora lembrei bastante das minhas aulas de Gestão de Pessoas e pensei que seria ótimo para ela ter algum conhecimento sobre. Ninguém esboçou reação NENHUMA, aceitaram como se eles estivessem errados ou até mesmo como se ela fosse "dona" de cada um deles, foi estranho, BEEEEEEEEEM estranho.


Primeiro dia - Descobrindo

Todos foram ao trabalho e eu fiquei ali na sala com ela para entender um pouco mais sobre o trabalho. Antes mesmo de começar ela disse que estava cansada de mentirosos mas notei que algumas coisas não estavam muito claras. Na conversa com ela eu recebi a camiseta da empresa para trabalhar e descobri coisas que na minha visão de empregador deveriam ser expostas por telefone tais como pagar 80 dólares pelo Working With Children Check Application (poder trabalhar em um ambiente com crianças), se algum dia eu precisar trabalhar uma hora a mais eu não serei pago por isso e é proibido faltar, se faltar eles colocam outra pessoa em meu lugar. Achei um tanto anti-ético essa forma de lidar com esses detalhes (que para ela são coisas "chatinhas" só) mas continuei ouvindo até o final onde ela me acompanhou para o meu local de trabalho.

Ninguém (nem mesmo a supervisora) me ensinou os procedimentos antes do início do trabalho (assinar o nome quando chegar e quando for embora, encher os potes com os produtos de limpeza que você irá utilizar, preparar a sacola com seus produtos, checar seus equipamentos).

O meu local de trabalho era no prédio de Música, eu acho que a experiência foi boa pois no sentido que eu estava em um dos ambientes que eu mais gosto ouvindo violinos, instrumentos de sopro, pianos, as vezes orquestras. Ao comparecer ao meu local de trabalho conheci a líder do meu prédio (mais uma chefe para lidar haha) e descobri (sozinho) que somente líderes possuem rádio para comunicação. Ela me explicou superficialmente os lugares que deveria limpar e o que deveria limpar (como nunca tinha feito nada disso o primeiro dia foi bem pesado mas consegui absorver experiência das tarefas). Descobri por meio de outra líder onde deveria deixar o lixo e sozinho descobri a sala com vários itens de limpeza (se faltasse algum em meu estoque).


Trabalho

Minhas tarefas do dia-a-dia:

Prédio de Música:
  • Passar vacuum (aspirador de pó) em todas as áreas do prédio (grande lounge, 3 salas administrativas, sala do diretor, sala do regente, 3 auditórios (com várias cadeiras, suportes para partitura e tudo mais dificultando o acesso), todas as áreas comuns e 15 salas individuais para estudo. Tudo com carpete e o campo gramado fica bem ao lado, ou seja, muita sujeira todo dia;
  • Recolher todos os lixos e colocar novos (em todas as áreas citadas);
  • Colocar todo o lixo recolhido e mais o lixo maior que fica fora do prédio em outro lugar;
  • Limpar todos os pianos (todas as salas possuem pianos, até mesmo do diretor). Mais ou menos 20 pianos;
  • Limpar o banheiro da área administrativa (vaso sanitário, passar mop no chão, repor o papel higiênico, repor sabonete, limpar a pia e limpar o espelho);
  • Limpar a cozinha da área administrativa;
  • Checar tudo e repetir algum processo se necessário (ex: se alguém usar algum lixo ou se sujar o banheiro precisa limpar novamente);
Área dos Elevadores:
  • Passar vacuum (aspirador de pó) em todos os andares (5 andares);
  • Limpar todos os vidros (mais ou menos 4 metros de vidro em cada andar).

Área do Presidente:
  • Recolher todos os lixos de 2 salas, 2 banheiros e mais da parte ao redor;
  • Passar vacuum (aspirador de pó) em todos os locais citados;
  • Nos dois banheiros: Limpar as 4 privadas existentes, os chuveiros, as pias, os espelhos  e passar mop no chão inteiro;
  • Na primeira sala limpar a mesa, o lixo, a pia, vidro da porta usando diferentes produtos;
  • Na segunda sala (espécie de quartel general), limpar a mesa, o lixo, a cadeira e o vidro da porta usando diferentes produtos;
  • Recolher o lixo e colocar fora da escola junto com os demais;
  • Limpar o vacuum, guardar ele e os produtos (de forma correta e organizada) na sala da empresa de cleaner;
Fazer tudo isso em 4 horas, na verdade em menos tempo. Só o vacuum no prédio de música demorava 2 horas mais ou menos (detalhe que ele ficava nas costas fazendo um peso considerável).
É claro que a líder, a supervisora e também mais 3 pessoas me cobraram no primeiro dia alegando que eu estava muito devagar, que eu precisava melhorar muito para continuar ali. Aceitei todas as críticas mas depois pensei: "É só o primeiro dia, vou melhorar e não serei alvo de crítica novamente".
No final do primeiro dia eu estava exausto, suando muito e uma menina perguntou para mim: "vai voltar amanhã?" e eu respondi: "COM CERTEZA, é só o começo", mas de certa forma eu sabia que não ficaria muito tempo naquela situação. Na volta para casa conversei com um rapaz que trabalhava lá, ele comentou que o trabalho é difícil todo dia e que não vou ter tempo para estudar inglês mas conseguirei juntar um bom dinheiro. Isso me fez refletir bastante, não me importo se o trabalho é difícil ou se as pessoas brigam/discutem comigo o tempo todo, mas que seja em INGLÊS! Não estou na Austrália fingindo que estou no Brasil e trabalhar falando em português o tempo todo.

Experiência e dia-a-dia

A supervisora não compareceu nos outros dias em que eu trabalhei alegando que estava tratando de um problema de saúde e eu não consegui entregar os documentos necessários para o pagamento do salário.

Nos dias seguintes eu já estava experiente com as minhas tarefas e acabei o meu trabalho antes do horário e pude ajudar outras pessoas em seus setores. Ou seja, o trabalho se tornou algo rotineiro porém muitas coisas me preocupavam como:
  • Falta de preparo de líderes;
  • Falta de comunicação clara entre líderes e supervisora;
  • Falta de trabalho em equipe (presenciei uma pessoa fazendo seu trabalho e alguém cobrando maior agilidade mas não fazendo nada para ajudar);
  • Intrigas (pessoas falando mal de pessoas, líderes falando mal de outro líderes e TODOS falando mal da supervisora...entendo que isso ocorre em qualquer empresa, mas acho inadmissível as pessoas comentarem em local de trabalho);
  • Clima hostil
Eu tentei propor trabalhar e falar em inglês ao invés de português e as pessoas riram da minha cara, tentei propor outro método de trabalho em equipe visando o melhor aproveitamento do tempo e as pessoas riram da minha cara, tentei conversar com as pessoas antes e depois do expediente sobre fazer algum certificado para comprovar o inglês avançado e as pessoas riram da minha cara.

Eu trabalhava basicamente sozinho e quando aparecia alguém era pra me cobrar ou falar para eu refazer algo que já tinha acabado. Eu não conseguia confiar em ninguém, estava completamente preso a situação imposta por eles, tentava pensar da melhor forma possível, não só pelo dinheiro mas também pensava que ali estava fazendo uma academia (sério, nunca fiz tantos exercícios em um dia só, nem mesmo na academia hahaha) mas a insatisfação eterna das pessoas e o ódio um pelo outro contaminava o lugar.

E o inglês?

Achei um absurdo quando ouvi o inglês das pessoas que trabalham lá (e que estão na Austrália a mais de 10 meses). Elas não se esforçam para melhorar o inglês, não é o foco delas, o foco é fazer dinheiro. Muitas delas possuem mais 2 empregos, trabalham de madrugada e só frequentam a escola pois o visto de estudante obriga.

Nunca irei esquecer quando o diretor da escola foi falar com as líderes (já que a supervisora não estava presente) e nenhuma delas entendeu direito o que ele falou e eu traduzi. Receber um "obrigado" por isso? Não, eu não mereço.

Ao comentar que eu iria começar o Cambridge e que estava focado em deixar meu inglês fluente as pessoas comentaram comigo para eu esquecer de estudar inglês estando nesse trabalho, que eu não teria tempo e nem disposição para isso, que eu não precisaria. Ouvir tudo isso me deixou MUITO depressivo, vocês não sabem como é difícil estar longe do Brasil, da sua família e dos seus verdadeiros amigos nessas horas para te apoiar em suas decisões ou frustrações. Todo dia ouvia algo similar e eu comecei a sentir que meu inglês além de não estar melhorando estava (na minha visão) piorando com esse trabalho.

Intrigas

O clima era MUITO hostil! As pessoas se odiavam, eu pude perceber lá pelo quarto dia de trabalho quando as líderes discutiram diferentes pontos de vista e as pessoas começaram a comentar comigo o que realmente acontecia ali. Não sei a razão de me escolherem para desabafar, provavelmente pois eu era novo e não caracterizava como uma ameaça para elas ou talvez por ser extremamente profissional e não comentar NADA pessoal durante o período dentro da escola. Mas apesar de todo ódio descobri que o ódio maior de todos que trabalhavam ali era justamente com a pessoa que eles deveriam ter como exemplo: a supervisora.

Advertência? Não perdendo o verdadeiro FOCO

Eu acredito que o verdadeiro propósito de qualquer trabalho é ganhar experiência seja ela boa ou ruim mas quando você trabalha em lugar que foi chamado de ninho de cobras pelos próprios funcionários pode não ser uma boa ideia continuar por muito tempo. Eu comentei no início do texto que uma mentira foi o suficiente para que a supervisora demitisse seu funcionário, mas após isso qual foi a ação para manter um bom ambiente de trabalho e garantir uma parceria maior de seus funcionários? Culpar todo mundo e não aparecer nos outros dias. Pode até ser que a ausência fosse necessária, mas a situação não era das melhores e ela sabia muito bem disso. Ao passo que uma supervisora toma uma atitude não tão correta as líderes acabam absorvendo um comportamento parecido e muitas mentiras são ditas para evitar constrangimento e, como uma cascata, os funcionários são expostos a uma verdadeira "guerra" de poder.

Na ausência da supervisora eu não ganhei UM elogio, na verdade era como se eu trabalhasse para uma outra empresa pois só falavam comigo para pedir ajuda. E conforme os dias iam passando eu ficava mais experiente, mais rápido e sempre ajudava alguém no final para tentar ir mais cedo para casa (o que nunca acontecia mas pelo menos ajudava). Depois de alguns dias quando eu estava na área do presidente a minha líder chegou até mim e disse: "Você fez um péssimo trabalho lá em cima, o diretor reclamou da limpeza e vai pontuar com a empresa. Vim aqui para dizer que essa foi a sua primeira advertência! Na próxima você não poderá continuar a trabalhar aqui, vou lá refazer seu trabalho. Não fique parado e faça o trabalho aqui com qualidade e MAIS rápido!" Eu fiquei em choque, o que será que eu tinha esquecido? O que será que falaram? Será que isso terá graves consequencias no futuro? Fiquei muito desconfortável com a situação e decepcionado comigo mesmo tentando descobrir o que aconteceu.

Quando uma menina perguntou se eu tinha acabado eu comentei da advertência e ela comentou comigo que isso era impossível pois ela estava no prédio de Música e não tinha ninguém lá, o mesmo foi confirmado por outra menina que disse que advertências ou reclamações do trabalho são comentadas apenas no dia seguinte e somente para a supervisora que comunica do ocorrido para suas líderes. Ou seja, a minha querida líder resolveu mentir para mim para me motivar, ou desmotivar? Qual o fundamento dessa "técnica"? Estava claro que ela queria mostrar que ela estava em uma posição "superior" a minha e eu era apenas um objeto de trabalho e não um ser humano com sentimentos e sonhos. Que tipo de líder eu era subordinado... isso que terei que ser? Nessa pessoa que terei que confiar? Pela primeira vez na Austrália fiquei com uma mistura de sentimentos bem opostos: raiva e pena.

Como se não bastasse a "advertência", ao final do expediente ela falou que se eu quisesse continuar lá teria que esquecer de estudar inglês pois o trabalho iria pagar minhas contas e não o meu inglês. Ela disse também que essa oportunidade era para poucos e que eu poderia mudar para qualquer escola de inglês somente para manter meu visto. Eu já não estava feliz naquele trabalho, não aguentava mais ser humilhado ou estar preso nessa situação, não estava satisfeito e as pessoas (na volta para casa) confirmaram o que ela disse.

Após esse dia eu tomei a decisão de simplesmente me demitir. Pensei na vida que eu construí no Brasil e nos anos de trabalho duro, eu não precisava me matar para trabalhar, não precisava me sujeitar a ESSE tipo de trabalho, estava confortável financeiramente e em busca de novas experiências! Não queria perder a alegria de estar aqui, não queria ser mais um deprimido, cansado e sufocado por ser tratado da pior forma possível por esse tipo de gente. COM CERTEZA foi a melhor decisão.


Me demitindo

Após tomar a decisão eu precisava avisar a supervisora, que não estava presente. Simplesmente mandei uma mensagem de texto (não liguei) dizendo que precisava focar nos estudos e que além disso precisava entregar meus dados bancários para ela poder me pagar de acordo com as horas trabalhadas, comentei que gostaria de conversar com ela pessoalmente para oferecer um feedback e da mesma forma receber um.

Ela respondeu a mensagem pedindo meu e-mail e disse que eu não precisava comparecer mais, era só eu deixar meus dados e a camiseta da empresa com alguém e que ela finalizaria o processo. Não chegou a comentar do feedback, não perguntou mais sobre os meus planos ou se tinha acontecido algo que tinha motivado minha saída (tendo em vista melhorar a comunicação entre os funcionários) e muito menos quis me ver novamente.

Obs: Lembra que eu disse que eu precisava pagar 80 dólares para poder ter um certificado que comprovasse que eu poderia trabalhar em um ambiente com crianças? Todo dia a supervisora me cobrava por e-mail mas eu nunca tinha hora livre para efetuar o processo, ou seja, não precisei pagar por isso.

Como eu sabia que tinha uma pessoa que trabalhava nessa empresa e estudava na mesma escola eu acabei deixando os documentos e a camiseta com ela.

Recebi o dinheiro na minha conta conforme combinado mas eu ainda não estava satisfeito. Sabia que mais pessoas iriam sofrer ou passar por situações ruins nesse lugar e então agi por instinto empreendedor.


Pode melhorar SIM!

É muito fácil sair de um lugar que não está bom ou que não trata os funcionários da maneira correta e procurar outro emprego. Ok, a decisão muitas vezes é complicada pois envolve dinheiro, mas quando você toma a decisão você pensa nas outras pessoas que ainda continuam? Eu penso.

De fato fiquei bem aliviado quando saí de lá mas sabia que precisava relatar sobre minha experiência com alguém influente ou com algo cargo elevado na empresa. Não tinha e-mail nem mesmo telefone de ninguém, a única pessoa que eu possuía o contato era o palestrante do curso de cleaner. "Ao menos é um meio de comunicação" eu pensei.

Escrevi um grande texto por e-mail para ele comentando da situação que os funcionários passam por lá, em momento nenhum citei nomes ou cargos mas comentei que os procedimentos, ambiente e processos não estavam muito bem definidos/organizados. Um dia depois ele me ligou e conversamos por 1 hora no telefone, fiquei muito feliz em conversar com um verdadeiro profissional, exemplo de profissional e também exemplo de pessoa que entendeu meu ponto de vista e também ficou preocupado com o futuro da empresa e de seus funcionários. Enfim consegui o e-mail do head office mas teria que escrever em inglês para eles (sem problemas).

Depois de 2 dias recebi a resposta da empresa. Eles agradeceram minha preocupação e ficaram bem contentes em saber que alguém estava contando para eles algo que nunca foi divulgado (normalmente somente coisas boas e depoimentos felizes são disponibilizados). Eles levaram muito em consideração meu e-mail e disseram que ficariam atentos ao local e iriam rever os processos e procedimentos ao passo que me ofereceram uma nova oportunidade em outra escola, porém eu teria que sair 40 minutos antes da minha aula acabar para poder chegar ao local. Agradeci a oportunidade mas disse que não poderia comprometer o meu principal foco aqui: estudar inglês.

Não sei se algo mudou por lá, se novas pessoas entraram ou se antigas saíram eu só sei que eu fiz minha parte, não fui egoísta, compartilhei um pouco de experiência e fiquei um pouco mais feliz (sensação de missão cumprida). O mundo seria bem melhor se todos pudessem compartilhar experiências, conhecimentos e boas atitudes.

No fim a experiência foi boa, tive que lidar com diferentes tipos de pessoas, aprendi como limpar diferentes tipos de lugares (e dei ainda mais valor para as pessoas que realizam esse trabalho), amadureci demais como ser humano, dei valor para o meu inglês (que continua melhorando agora haha), tomei decisões, aprendi a lidar com as mais diversas mentiras sem perder a razão, não fui egoísta e pensei em melhorar o ambiente de trabalho...ihhhh se eu for listar tudo que foi bom eu preciso escrever outro artigo! Claro que teve momentos ruins, mas o que são momentos ruins perto de experiências boas para a vida.

E que venham novas EXPERIÊNCIAS.


"O copo está sempre meio cheio, nunca meio vazio"
Filipe Guerrero Analista de Projetos/Processos

4 comentários:

  1. Amei! Adoro pessoas que pensam e agem como você, é uma pena que sejam tão poucas no mundo. Parabéns e felicidades.

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  2. Felipe tem o nome dessas empresa?Estou em Sydney fazendo curso e preciso de emprego

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